quinta-feira, outubro 30

Checklist de viagem

[ ] Comprar canivete suíço
[ ] Comprar sandália / papette (os dois nomes são horríveis) nova
[ ] Marcar dentista
[ ] Marcar oftalmologista para por lente de contato
[ ] Gravar CDs
[ ] Mandar celular pro conserto
[ ] Fazer orçamento detalhado
[ ] Fazer coisas do checklist de viagem
O poente na espinha das tuas montanhas

Em algum momento, o Rio deixou de ser pra mim o lugar de passagem para visitar meu primo de Niterói ou o lugar onde meu irmão morou um tempo para se tornar um destino cool e desejado, para ser descoberto e saboreado aos poucos.

Da primeira vez, meu salário tinha acabado de dobrar e eu fiz uma super Rio extravaganza com a namorada da época. Ponte aérea, hotel 4 estrelas, jantares e teatro. E terminou com uma apresentação sinfônica no Forte de Copacabana, com direito a fogos de artifício. Sensacional.

Depois, me lembro de uma vez que tentei passar com um namorada um final de semana lareirinha com chocolate quente em Visconde de Mauá. Só que as antas não reservaram nada e não tinha lugar, e já eram 6h da tarde de sábado. Decidimos continuar na Dutra até o Rio e tivemos um final de semana delicioso.

Teve o Réveillon de 2000 pra 2001. Chuva tórrida e duas garrafas de espumante pra duas pessoas. Foi uma delícia. Acho que foi a última vez que passei mais que um final de semana lá.

Nesse ano, fui em março, num final de semana bem intenso. Com minha amiga australiana e o namorado lituano dela, teve caipirinha no Copacabana Palace, show do Jorge Ben na Fundição Progresso, Corcovado com elevador novo, balada no domingão e ponte aérea às 7h da segunda.

Em todas, teve sanduíche de pernil no Cervantes. Pequena obsessão.

Não lembro de ter ido de ônibus. Amanhã, 11h e pouco, estarei no direto pro Rio. Tem uma dose de incerteza boa sobre essa viagem, o que acho ainda mais interessante. Tem um reencontro com uma amiga de milênios. Tem um show que eu não tenho ingresso e quero ir, tem outro que eu tenho ingresso e não estou muito afins de ir, tem praia e balada com uma amigona de SP, tem busão e balada com outro grande amigo.

E a partir de amanhã, faltam só 30 dias pra eu embarcar pra Austrália. E pouco mais de uma semana pro meu aniversário. É duro aguentar com a escalada da euforia.

quarta-feira, outubro 29

Listmania
idéia da Mari

A vida realmente tem trilhas sonoras. Sempre penso qual música estaria tocando se aquele momento fosse a cena de um filme. Com muitas injustiças, apresento minha listinha. Ressalva: na maior parte dos casos, não estou falando da letra, e sim do clima em geral criado pela música.

As melhores músicas para...
Acordar: "Do You Know What I Mean" (Oasis) e "Ce Matin La" (Air), que parece mesmo feita especialmente pra isso
Tomar banho: "Don't Fence Me In" (David Byrne) ou qualquer outra que dê para dançar fazendo coreografias. Só cuidado para não escorregar no box...
Tomar café: nenhuma, é CBN mesmo. Aos sábados, "Carioca" (Chico Buarque), aquela da tapioca
Ir de carro pro trabalho: "Botaram Tanta Fumaça" (Tom Zé) ou "Sing" (Travis), pra cantar o refrão gritando e pagar mico no farol
Levantar de uma fossa: "Get Me Away From Here I'm Dying" (Belle & Sebastian), "Australia" (Manic Street Preachers), "Os Alquimistas Estão Chegando" (Jorge Ben). Essa lista é bem mais extensa...
Curtir uma fossa quietinho: "Olhos nos olhos" (Chico Buarque), "Santa Chuva" (Maria Rita), "Ne Me Quitte Pas" (Jacques Brel). Essa então...
Curtir uma fossa catártica e expansiva: "Everything Must Go" (Manic Street Preachers), "You Oughta Know" (Alanis Morissette)
Momento contemplativo (triste ou feliz): "Porcelain" (Moby), "Airbag" (Radiohead)
Dar a volta por cima (em tese): "Cuidado com a outra" (Chico Buarque), "I Will Survive" (Gloria Gaynor)
Pegar a estrada pra uma viagem bacana (no comecinho): "Everyday Is A Winding Road" (Sheryl Crow)
No meio da estrada: Tema do James Bond, "Coffee & TV" (Blur), Yakety Yak (sei lá quem). Aí depende muito da paisagem, se é uma coisa mais campo, mais floresta... E do tempo também, com chuva é uma coisa, com sol é outra
Comer uma feijoada: "Samba do Arnesto" (Adoniran Barbosa)
Trabalhar em casa: Ben Harper
Momentos muito felizes: "Ok, All Right" (Pato Fu), "Girls and Boys" (Blur). Essa lista também é interminável.
Depois de fazer amor, abraçado na cama: "Não Vá Ainda" (Zélia Duncan)
Durante o ato: não gosto de ouvir música
Cozinhar: leia lá na Mari
Escrever no blog: (atualmente) Disco novo inteiro do Belle.

terça-feira, outubro 28

Semana de três dias

Quinta-feira subo no busão pro Rio. E TIM Festival na cabeça. Na verdade, sei muito pouco das bandas que vou ver, estou indo mais pela balada, acho que vai ser bem bacana. Rio é sempre bacana, aliás.

E a segunda-feira já foi meio perdida. Terça-feira?

PS: Descobri que tem musicas para ouvir no site oficial. Melhor, assim conheço alguma coisa. Tem graça show que não dá pra cantar junto nem reconhecer a música pelo comecinho e passar mal?
Fechamento na veia

Pelo menos uma rotina eu desenvolvi na minha vida de ócio pouco produtivo: a correria semanal da segunda-feira para entregar o frila que eu poderia ter escrito na quinta-feira. Parece mania de fechamento caótico. Só que agora combinada com enrolação crônica. Definitivamente não nasci para trabalhar em casa.

segunda-feira, outubro 27

O labrador e o gavião

Fiz uma conta: na vida toda, convenci oito mulheres a irem pra cama comigo. Só duas não eram na época uma namorada presentes dorme junto viaja junto e não briga. Um monte de gente abriu a boca de espanto, apresentou sua conta, e eu abri a boca. Até somei todas as camas de solteiro casal pousada hotel aclimação tudo de novo, mas deu oito mesmo.

Só que eu abri a boca mesmo quando, no restaurante indiano, meu irmão que é o mais meu irmão de todos e que eu acho que sou eu 11 anos mais velho, disse que aos 30 e tantos, quando se separou da mulher que ele conheceu com 16, fez a mesma conta e dava quatro. Isso que ele tinha se formado em Londres e tinha um emprego bacana, imagina. Na verdade achei bom pacas, meu irmãozão que eu admiro mais, ter a contabilidade pior (?) que a minha. Pelo menos na época.

Eu acho hoje que é uma mistura mal equilibrada de falta de oportunidade com falta de confiança pra agarrar oportunidades que meus blue eyes e conversinha interessante poderiam ter rendido.

Um análise caso a caso é reveladora, mesmo naqueles casos dos beijos que não deram em nada (dependendo do ponto de vista). Parece um gerente de banco concedendo empréstimo: só se a taxa de risco for bem baixa. Morro com a possibilidade de avançar e aí um desvio, desconversa, não era bem isso, riso nervoso, você me entendeu mal, desculpa, desculpa, já estou com a cara no chão.

Só duas (pode ser três) vezes desde aquele primeiro beijo na garagem em Brasília eu beijei meninas que nunca tinha visto na vida. Uma delas há algumas semanas só. Confio pouco e recuo fácil, sempre acho que preciso de tempo, muita conversa e muitas situações. Imagino mulheres por aí casadas com filho que pensaram em passar uma ou várias noites comigo mas esperaram tanto que foram casar e ter filho com outro.

Quando chega a hora, é olho no olho e subo no teto sentindo a primeira vez os lábios nos meus. É realmente sublime. Penso (às vezes até falo) "porque demorou tanto?".

Esse é o labrador. E o labrador depois faz tudo, quer se entregar e aprende a dividir (mesmo pagando com o coração depois). Tem dias que prefere um abraço e o cheiro de amaciante na calcinha de algodão a qualquer bebedeira ou sexo na pia da cozinha ou no chão. Pensa horas na frase e no presente certo só pra ver o brilho no olho, e não resiste jamais a uma pessoa que acha o labrador irresistível.

O gavião está melhor na matemática. Deve até ter perdido a conta. Dá uma invejinha quando ele tem cara de pau de falar qualquer coisa, a qualquer hora. Pensou em casar e ter filhos com muitas mulheres, só porque teve isso na mão mais de uma vez. Não passou uma oportunidade. Às vezes passaram algumas de ficar calado.

Em geral, ainda gosto de ser o labrador da história, é meu ato, na verdade o único jeito que me ensinaram. Mas quando vejo uma oportunidade, queria vestir o gavião e falar tudo na hora pra ela não passar de novo.

Pequenas obsessões

belle
Depois de todo mundo (ou muita gente, pelo menos), arrumei um bom motivo pra pegar as músicas do CD novo do Belle and Sebastian. Está tocando pra sempre agora.

Eu reparo na música e no som na maior parte do tempo, e está delicioso. Nas letras, tem a identificação já obviamente apontada com "If you find yourself caught in love" (If you find yourself caught in love / Say a prayer to the man above / You should thank him for every day you pass / Thank him for saving your sorry ass), mas "If she wants me" está grudada (If I could do just one near perfect thing I'd be happy .... / On second thoughts I'd rather hang about and be there with my best friend / If she wants me). E a primeira eu nem fui a ver a letra, mas é pra batucar no volante, acelerar, pular no quarto e talvez vire a trilha sonora pra descer do avião.

Coluna social

Maria Rita no palco é realmente muito bacana. A mesa era bem pertinho e deu pra ver todos os seus jeitinhos graciosos©. A cada frase dela, gritinhos e "linda, marvilhosa, gostosa, eu te amoooo" na platéia. Mas tomar um chopinho na mesa do lado dela no Genésio mais um domingo ajuda a manter aquela sensação de pessoa do mundo real.

E o amigo cara valente ganhou mais uma história pra contar: deixou um bilhete-torpedo na mesa da moça. Se ela for vista no Filial, é porque deu certo.

sábado, outubro 25

Calor, né?

Tinha que ter esse maldito dress code pra quase estragar o dia. Mas, no fim, rendeu uma história muito boa e algumas risadas.

Como sempre nos aniversários, meu pai marca um almoção num restaurante bacana. O escolhida dessa vez foi o La Vecchia Cucina. Engraçado como sempre cai logo depois de uma baladinha, com ressaca associada. E ontem tomei vinho até 4h da manhã, então deu certinho. Estava até contando com isso, aquela comida deliciosa e mais vinho pra curar o pé na jaca.

Botei na cabeça que ia de ônibus. Pelo horário, não fazia sentido torrar uma grana de táxi. Olhei os intinerários, baldeação na Brigadeiro, tudo certo. Com um calor desse, bermuda. Peguei a mais arrumadinha, até botei um cinto, e uma camiseta branca limpinha.

Nem peguei o melhor ônibus, precisei dar uma boa andada no sol quente. Mas cheguei feliz e a pé no restaurante. E o olhar de reprovação do segurança, olhando para baixo e fazendo um sinal com as mãos: "Não pode bermuda".

Fiquei com aquela cara de perplexo e ele com aquela de "não posso fazer nada". Tá, o que acontece agora, eu falo pro meu pai que estou de bermuda então tô indo pra casa, outro dia a gente almoça? Celular, maitre chefão vai e vem, até "autorizar" a entrada. Apesar do constrangimento, foi risada generalizada.

Isso sem contar a hora em que meu irmão, o aniversariante em si, chega 50 minutos atrasado e... de bermuda!!! Frase do maitre: "se eu perder meu emprego hoje..."

Prometi pra mim mesmo que, nem no inverno mais glacial, entro naquele lugar de calça comprida.

sexta-feira, outubro 24

Ele voltou! Leiam, que é bom.
Tem coisas que só a internet faz por você


Foi na mostra de 2000. O filme de encerramento era "Dançando no Escuro". E nessa época eu tava idolatrando Björk. Porra, ela já é sensacional como cantora,
e ainda me ganha o melhor atriz em Cannes? Achei foda. E uma amiga de Nova York tinha me mandado o CD da trilha sonora, eu ouvindo no carro todo dia e imaginando as cenas.

[Fora que o CD é sensacional e a música mais linda de todas, "I've Seen It All", ela canta com o Thom Yorke, do Radiohead, tipo assim a melhor banda do mundo. Um orgasmo pop! E eu perdi esse CD, vou baixar tudo e gravar hoje mesmo.]

E minha amigona me deu a dica do século (desse e do passado): ingresso.com.br. Comprei uma semana antes e fiquei posando com o ingresso no dia da sessão, na frente do cartazinho "esgotado".

O filme foi uma porrada. Eu simplesmente não sabia de nada, não tinha lido nenhuma crítica pra não estragar. Não sabia que ela ficava cega ("I've seen it all..."), nem que ela... bom, não vou estragar pra quem não viu. E a sensação fantástica de encaixar as músicas que estavam na minha cabeça com as cenas do filme, foi uma experiência sensacional.

A dica do site ficou, e hoje quase não vou ao cinema sem comprar antes pela internet. Esqueça aquelas filas do Unibanco, esqueça chegar no shopping, parar o carro, subir trocentas escadas rolantes e todas as sessões estarem esgotadas. Compre online. No Cinemark do Santa Cruz, que é aqui perto, é lindo: você imprime em casa o ingresso (!!) e vai direto pra fila.

Pra mim, esse é o melhor exemplo de um serviço bacana da internet. E não tô ganhando comissão pela propaganda!

Mostra! Mostra!

Todo ano é assim: esse ano vou ver X filmes. Não vi nenhum até agora, negação total. Acho que vou ver um agora, só pra dizer que fui e quando estrear no ano que vem eu poder dizer "vi na Mostra".

Do pouquinho que eu li, queria ver "Elefante". Última chance amanhã, mas já tá esgotado. Então achei "Coisas Belas e Sujas", do diretor de Alta Fidelidade, hoje no Unibanco. Tô lá já. Aliás, acho que vou baixar por lá e ver o que der.

Bom, pelo menos a festa foi muito bacana, jaqueira total. A festa da Mostra, quero dizer. Ah, a de ontem também. Jaqueira total. Totalmente desnecessário, claro. Perdi a aula de novo, e hoje tem happening aqui chez moi, aposto que vou acabar na Neosaldina de novo.

quinta-feira, outubro 23

Mango Delight

Quarta é o dia da feira na rua de trás. Acontece que adoro pastel e caldo de cana (em Brasília ninguém sabe o que é garapa). Mas quarta virou também o dia de resistir muito e passar direto na banquinha do pastel, comprar franguinhos ou peixinhos, salada, uma fruta pro suco e outra (ou a mesma) pra sobremesa.

Quando fica pronto e eu ligo na CBN (é a hora do Carlos Alberto Sardenberg, o meu preferido), vem a recompensa. Faz muito bem estar na frente de um pratinho leve e (muito) barato como esse, em vez de um pacote de papel pardo pingando óleo do pastel.

Semana passada, aprendi uma coisa nova: na feira dá pra comprar queijo branco em pedaços bem pequenos, ideais pra quem mora sozinho. E resolvi, inspirado na saladinha deliciosa que eles servem no Acrópole, ralar o queijo branco (daqueles mais curtidos) na salada. Delícia. Agora que tá na época, compro também 3 papaias por 2 reais, geladinho no café da manhã é sensacional.

E essa semana tinha outro moço vendendo o queijo. "Vai comer rápido ou vai demorar?" "Uma semana", eu digo. "Então passa uma aguinha nele a cada dois dias e enxuga com papel toalha." Uau, técnicas avançadas!

Ainda aproveitei o leite condensado que tava há semanas na geladeira e fiz de sobremesa um Fresh Mango Delight (já disse no outro blog que nomes das comidas são tudo): cubinhos de manga e leite condensado.

Culpa gastronômica
Hoje é o segundo dia de corrida de 5 km no parque. O segundo é sempre o pior, já sei. Estou quebrado. A Penny falou pra fazer dia sim, dia não nas primeiras duas semanas. Espero até lá continuar em condições de andar.
Um tiozinho na faculdade

É raro eu chegar na aula hora. Não que eu não goste de acordar cedo. Mas quando acordo, fico tão feliz, acho que tenho todo o tempo do mundo, e levo horas tomando café da manhã e me atraso. Ou então simplesmente acordo atrasado mesmo, e saio correndo, o que foi o caso hoje.

Antes, tinha pudor de entrar muito tarde na aula, muita cara de pau. Hoje sei que se eu não tiver presença não termino essa desgraça, então entro, mas discretamente, sem barulho, peço licença pro professor fazendo um sinalzinho com a cabeça.

E hoje, meia hora depois que eu cheguei atrasado, entra o sem noção. Cabelinho comprido estilo jogador de futebol argentino, barbinha estilo estudante pseudo-comunista. Camiseta do pijama, só podia ser. Na mão, uma coxinha (!!!), na outra um copinho. Rindo da vida comendo sua coxinha, provocando tumulto na sua turminha de alunos desinteressados. Achei o cúmulo do desrespeito.

E ninguém lê os textos. Eu também não, mas me dou um desconto. E o professor com a estratégia errada. Pára a aula e diz: "agora vocês vão comentar". E fica um silêncio. Um puta silêncio constrangendor e burro. Aí o Coxinha manda bem alto: "aê, galera, alguém leu o texto? não tô mais aguentando esse silêncio. Ah, você Fulanão, leu o texto! Então fala alguma coisa aí, fala onde nasceu esse Guy Debord, sei lá".

Tudo muito constragedor, como a PUC em geral.

quarta-feira, outubro 22

Uma brasa

Vamos então alimentar uma sensação de euforia crescente. É isso que acontece todo final de ano, me lembro sempre do colégio, juntava a proximidade das férias com o meu aniversário e parecia que eu tinha tomado um ecstasy todo dia.

Era uma euforia que me desconcentrava, não conseguia pensar em mais nada, só felicidade. Todo mundo naquele clima de final de ano, provas, sai mais cedo do colégio e vai pra piscina porque já está um calor danado. No último dia, faz uma festinha, assina a camiseta de todo mundo (tenho guardadas!) e apronta alguma no colégio, tipo tocar o sino (meu colégio tinha sino). Ui, que loucura!

É assim que as coisas estão se configurando.

1. Faltam dez dias pra faltar um mês pra eu embarcar;
2. Faltam três finais de semana pro meu aniversário;
3. Decidi hoje a data da megafesta de aniversário/bota-fora: 14 de novembro;
4. Acertei hoje detalhes do meu final de semana no Rio. Vou na quinta, e vejo shows na sexta e no sábado. Vai ser inacreditável.
5. Ontem corri 5 km no parque. E amanhã vou de novo.

Agora só falta sair o diabo do visto pra eu começar a comprar as passagens internas na Austrália...

O difícil é segurar a onda para manter a concentração na PUC e nos frilas. Difícil mesmo.

terça-feira, outubro 21

Gargalhada do dia
Não é engraçado quando você vai comprar cigarro e compra dois maços de uma vez e todas as pessoas em volta olham pra ti como se você fosse fumar os dois pacotes AO MESMO TEMPO????? Isso me irrita muito.
Cortesia Blog do Hassen.
Um oh, um ah, um final de semana no Rio
Comprei ingresso pro TIM Festival. Dei uma enorme bobeada e esgotou a quinta, que tinha show da Beth Gibbons, do Portishead, e da k.d.lang e tinha companhia garantida já. Então comprei logo pro dia 31, que tem The Rapture e White Stripes. Companhia eu arrumo.

Num final de semana, Maria Rita. No outro, TIM Festival. Tá bom pra mim.
Desenho inquieto
Estava desconfortável com o último. Vamos ver quanto tempo dura este. Ensaiando uma volta às origens.
Contagem regressiva

É quase inverossímil que, em 40 dias, embarco num avião pra Austrália.

Às vezes, nos lugares mais improváveis, vem o frio na barriga, e fico tentando me imaginar no aeroporto, entrega passaporte, free shop, a filinha do embarque, e depois fico imaginando maneiras de aguentar tantas horas vôo.

Em termos de expectativa, o embarque é campeão. Mas o desembarque é imbatível na sensação de felicidade absurda, incontrolável, de sair dançando. Sobretudo, de deslumbramento pela mágica que é estar do outro lado do mundo em poucas horas (para a distância, são pouquíssimas). E o medo gostoso do desconhecido, desse lugar diferente, e dos dias de viagem que vão se seguir. Sem falar na expectativa de, três semanas depois, rever amigos de sete anos atrás.

Sete anos atrás, desembarquei em Barcelona para começar a melhor viagem da minha vida. Dentro da mochila com a bandeira do Brasil, meu velho walkman e uma caixa de fitas. Esperando a "parada completa dos motores", coloquei a fita no ponto de "Ok, All Right", musiquinha besta do Pato Fu mas que é a mais feliz do mundo, dá vontade de sair correndo, pulando. E foi ouvindo isso que eu percorri o corredor e desci a escada do avião, sob um sol sensacional, rumo a um monte de experiências inesquecíveis.

Ainda bem que o avião chega de manhã em Sydney. Espero que esteja sol de novo.
Início de tarde

Às vezes dá aquela vontade de um mega post sentimental, mas já sei que não é o caso. Fiquem então com o horóscopo de Mystic Meg, do The Sun, dica ótica que estou plagiando aqui. Se dá tão certo quanto estão falando, preciso marcar um encontro urgente no Buttina.
Venus is perfectly placed in your personality chart to add more pleasure to your life and defuse any stressful situations. Meanwhile, Saturn in your truth chart helps you wise up about who you should trust. If you are single, a meeting where Italian food is served could launch new love.

segunda-feira, outubro 20

Forninho
A temperatura bateu recorde hoje em SP? Derreti. E olha isso: a meteorologia informa que, para o período em que vou estar na Austrália, chegam a 80% as chances de a temperatura ser mais alta que a média nas regiões em que eu vou passar a maior parte do tempo. Resumindo: vou assar.

Alerta
Era uma dor de verdade na região abominal (vulgo barriga), eu quase não conseguia ficar em pé. Foi na balada de sábado, quando este rapaz estava mandando o som. Passei a bola pro sócio e fiquei convalescendo. Nunca sinto isso. Se como algo que não fez bem ou se bebo além da conta, fico enjoado, nauseado. Mas dor não sinto nunca. Alguns litros de coca-cola depois, fiquei bonzinho. Mas foi um alerta bem dado. Essa semana será light (com o desconto do internacionalmente famoso "Momento das Resoluções Dominicais").

Me lembrou muito uma história clássica minha.

Eu devia ter uns 19 anos. Domigão à noite, na casa da minha mãe, e sinto um bruta dor na barriga. Muito recentemente, dois irmãos meus e meu pai tinham sido operados de apendicite, e foram episódios traumáticos. Na hora eu pensei: chegou a minha vez.

Com mãe e pai viajando, liguei para o irmão mais velho. "Vai pro pronto-socorro!" Acho que eu teria feito o mesmo no lugar dele. Vai que ele me mando ficar em casa e tomar uma aspirina e largar de frescura e é algo mais sério? Prudente.

Conto minha historinha pro clínico geral de plantão, que tinha chegado minha vez e tal, e ele me manda subir na maca pra examinar. Aperta daqui, aperta dali, pode descer. "O sr. comeu algo de diferente neste final de semana?" E eu começo a lembrar.

Sábado, feijoada, caipirinhas e cervejas. Depois fui jantar na casa do meu pai, tomei umas taças de vinho. E depois fui numa festa, tomei uns gins e mais cerveja...

"Olha, acho que seu caso está mais para ingestão copiosa de álcool", foi a pérola que o médico mandou. Tirando o mico, é sensacional.

domingo, outubro 19

Mobília nova
- Puf, puf, alô, puf, puf...
- Oi, interrompi alguma coisa?
Só quando acontece que a gente lembra como é início de paixão. Quer estar junto o tempo todo. Fica com saudades, e quer cuidar. Viaja pensando no futuro. Eu estou assim com a minha Caloi.

Esses dois primeiros dias de convivência foram sensacionais. Cada hora sei que fiz um negócio fantástico, até porque o que eu paguei nela é menos da metade do que eu gastava com o carro todo mês. Fora a economia de academia...

Já fomos no Ibirapuera, claro, um clássico inevitável. E hoje fomos na Vila Madelena! Mais precisamente, almoçar carne deliciosa com batata e saladinha e Bohemia na varandinha do Martin Fierro. E depois fomos no cinema (tudo bem, nessa parte ela andou de carro um pouquinho). E agora ela está lá na sala, de frente pro sofá branco.

Juro que estou com vontade de ir na festa com ela. Mas acho que ela ia ficar meio deslocada, é um ser do dia, não da noite.

No finalzinho da primeira vez, minhas costas doeram como eu nunca tinha imaginado ser possível. E o selim me deixou com uma dor que eu fico constrangido só de pensar.

Hoje estava prontinho para pegar meu busão, quando ela olhou pra mim com aquela cara de cachorro que quer passear. Mudei de roupa e foi lindo, sol na cara, e no final aquele formigamento gostoso na perna, de quem fez exercício. Uma sensação rara e agradável para um sedentário notório como eu.

Nas primeiras pedaladas da segunda vez, parecia que eu não ia aguentar de dor. Fora não conseguir sentar no selim, que vexame. Depois acostumei. Será que eu vou realmente acostumar e quem sabe até perder uns quilinhos? Ia ser só um bônus, porque já está divertido demais assim mesmo.

A coitadinha veio do Carrefour toda estrupiada, preciso levar no conserto a bike novinha. Brilhando, linda. Aliás, acho que até brilha demais, fico com medo de chamar atenção. O risco de assalto era bem menor quando eu estava a pé.

Claro que não vou andar pra todo canto, mas com certeza vou economizar muitas corridas de taxi ou esperas em pontos de ônibus. Fora os benefícios óbvios para este coprinho judiado (e pra cabeça cansada).

Eu não moro mais sozinho. Tem um bicicleta na sala.

sábado, outubro 18

magrela


Camelo

Paulistas chamam de magrela, brasilienses chamam de camelo. Aliás, motivo para muito gente não entender aquele verso de "Eduardo e Mônica". As duas gírias são toscas. O que interessa é que, desde ontem, este Rapaz! poderá ser visto montado numa delas, exatamente como a da foto.

É quase indescritível a sensação de passar com um bicicleta no caixa do supermercado. Dei umas voltinhas no estacionamento, mas ainda não matei minha vontade. Então fui, que o sol está perfeito.

sexta-feira, outubro 17

Centro do medo

Eu andei a pé, no centro de São Paulo, de madrugada, às 3h. Eu caminhei para chegar em casa durante uma hora. E o pior: fiz por opção mesmo.

Pode ser uma bobagem, mas na minha cabecinha de paulistano amendrotrado pelos trombadinhas de farol e sequestros-relâmpago e preconceituoso com as ruas do centro velho, essa seria, com certeza, uma missão suicida.

Claro que o sakê e os choppinhos ajudaram na coragem (ou burrice). Na hora de ir embora, resolvi dançar mais umas músicas, e perdi os amigos. Saio na avenida São João pronto para pegar um taxi, mas decido ver se passa o ônibus. Estou virando um fanático nesse ponto.

Começa a caminhada.

Na praça da República, um camelô no ponto de ônibus vende balinha, biscoitos, tranqueiras em geral. Será que alguém compra a essa hora? No ponto, descubro que o meu ônibus não passa. E vem a danada da idéia: vou andando. Se eu morasse no Morumbi, nunca pensaria isso, não por medo, por preguiça mesmo. Mas fui inventar de morar perto do centro.

Estabeleço que, se começar a achar que o bicho vai pegar, subo num taxi na hora. Mas vou andando.

Primeiro, o pessoal no ponto de ônibus na República. Gente esperando pra ir pra casa às 3h, provavelmente muito longe, provavelmente depois de trabalhar um dia todo e uma noite toda.

Avenida São Luiz, vamos nessa. No cruzamento com a Consolação, sempre tem uns trombadinhas. Já morri de medo delos no carro, já corri deles. De carro. E agora? O cruzamento chega e nada. Devem ter ido procurar ganha pão em outro farol.

Agora já dá pra ver o movimento no Estadão, o boteco ali perto do Diário de São Paulo. Fome! "Sanduíche de pernil. Dá pra ser com abacaxi?" Claro, como o do Cervantes, um dos meus programas preferidos no Rio. "Pra viagem." Delirei com a possibilidade de comer, andando, no centro, às 3h (já devem ser 3h20). Tem um taxi parado na frente, mas eu resisto. Deveria usar esse tipo de determinação para coisas mais úteis na vida.

Tiro meu sanduíche do saquinho e paro na frente da banca de jornais 24 horas, fingindo ver revistas só para testar o sanduíche. Ok, dá pra comer andando.

E ganho o viaduto 9 de Julho. Nessa hora, sorrio e me sinto o dono do mundo. Caminhando decidido por cima da avenida, a calçada larga, a vista do Anhangabaú, e meu sanduíche de pernil na mão, e na boca.

Na próxima esquina, uma banca de frutas. Quem compra isso à essa hora? Muito morador de rua. E ninguém com cara de trombadinha, nenhuma ameaça, minha confiança cresce.

O sanduíche de pernil acaba na Câmara Municipal. Pensamento óbvio: "mais bandido aí do que aqui na rua". Me proponho a ir pelo menos até a Praça João Mendes. Essa cena eu quero ver. Lá vejo o que faço.

Mais um viaduto, 23 de Maio lá embaixo, e estou na frente da Catedral. A praça está viva. Camelôs, churrasquinho, ponto de ônibus cheio. Quase uma balada. Pergunto pelo meu ônibus. "Parece que começa a passar às 4h30". São 3h40. Arrumo fogo com a moça do churrasquinho e vou. Tchau, pessoal da praça.

Sempre acho que cigarro ajuda e dar um ar mais confiante ou menos "assaltável" na pessoa. Não sou mano, não sou truta, sou um burguesinho com medo, acho que teria um ataque se alguém me abordasse naquela hora.

Decido ir pela rua da Glória, de tanto ir no Samurai aprendi que lá tem uns puteirinhos e uns bingos, deve ter gente. E aquela iluminação oriental da Liberdade, era uma composição bacana.

Um pouco antes do burburinho, primeiro momento de tensão: três pessoas e uma daquelas carroças de catador de papel, gente suspeita, mas não dá para voltar. Vou passando, e aí surgem dois garis também. E um deles fala pro catador:

- Tem umas caixas ali na frente, se você chegar antes a gente não leva.
- Onde?
- Na frente do hospital.
- 'Brigado!

Momento de solidariedade na madrugada da Liberdade. Chegam os inferninhos. Montes de taxis, mas agora é que eu não pego mesmo. Já passou mais da metade do caminho.

Tem seguranças conversando na calçada, e umas moças que devem estar saindo do trabalho. E uma fila de gente muito humilde na frente do tal hospital, ainda fechado. Na rua da Glória, na Liberdade. Prato cheio para metáforas rasas.

Passa o Samurai, passa o Takô, e volto para a Conselheiro Furtado, tem uma subidinha. É a minha São Silvestre da madrugada. Agora está bem mais escuro, e não tem mais taxi. Fico imaginando este post, fico imaginando que eu ia escrever que no final, bem no finalzinho, um cara me atacou, fui assaltado, sei lá.

Dentro da pizzaria podrona que fecha às 2h tem uma musiquinha. E o outro inferninho que eu achei que ia me garantir uma luz está fechado e escuro. Mas tem a padaria na esquina, padaria sempre funciona. E realmente a luz está acesa lá dentro, mas não tem cheiro de pão, como tem na Campos Elíseos a essa hora.

Bradesco, aqui tem segurança. O Pão de Açúcar não é 24 horas, mas tá acesão, os funcionários nas escadinhas ajeitando as gôndolas pro povo chique da Aclimação comprar de manhã.

Quando entro na avenida Aclimação, estou me sentindo o Schumacher, com o Galvão gritando "não perde mais!". Portaria do prédio que minha mãe vai morar. Qualquer coisa, corro pra dentro, faço um escândalo. "Abre esse portão!"

A Blockbuster está menos iluminada que de costume. E lá na frente, luzinhas de carro de polícia parado. É pra se sentir seguro ficar com mais medo? São dois carros, eles conversam apoiados na porta aberta, e eu faço aquele aceno de cabeça ao passar.

Já dá pra ver o Carmenssita's (com dois S's mesmo), puteiro a 5 quadras da minha casa. E a minha pracinha, linda a essa hora. Dá vontade de ficar já no ponto de ônibus, esperando o Cardoso passar. Aliás, preciso descobrir que horas ele começa.

A rua Diamante vira a minha rua, e o porteiro acorda com a campainha. Plec, abre o portão, e tenho uma sensação redentora. Elevador, chave, casa, cama. Finalmente tenho coragem de olhar o relógio: 4h15. O comprovante do cartão de débito da balada marca 3h11. Uma hora depois, missão suicida cumprida.

quinta-feira, outubro 16

Post-maki (ou sushi blog)

Comer peixe cru faz parte de morar em São Paulo. E foi um dos hábitos que incorporei ao me naturalizar paulistano (comer pizza gelada de manhã não foi). Especialmente depois que vim morar aqui pertinho da Liberdade, claro.

Mesmo comendo um japinha (ops) quase uma vez por semana, não digo que conheço bem a coisa. Até sei uns nomes e tal. É como vinho: sei quando está muito ruim, sei quando está bom. Agora se está muito bom, ou mais ou menos ótimo, desconheço. No geral, é difícil comer um muito ruim. Especialmente quando se trata ali do básico, peixinhos, com arrozinhos.

Negui especial
A única coisa mais diferentezinha que eu conheço é o negui toro especial do Lika, que devoramos ontem. (Detalhe: fui de ônibus! Cada dia adoro mais isso). E é realmente muito bom. É um bolinho de arroz, envolvido por uma tira de salmão, com atum gordo em cima (o tal negui toro), e um pozinho que eu acho que é gergelim. É grande, tem que colocar na boca de uma vez. Típico orgasmo gastronômico.

Wasabiman
Lá no Lika vi uma das cenas engraçadas de restaurante japonês. Um cara sentado no balcão era o verdadeiro profissional do sushi. Tinha seu próprio hashi (lá tem uma prateleira cheia, com nominhos-san, que nem garrafa de uísque). O Lika ia oferecendo "ô rapaz, hoje tem o peixe tal, pode ser?" e servindo. A mulher do cara entediada. E o ajudante do Lika colocava a raiz forte ali no balcão de fórmica, e (eu juro que vi) o cara mandava pra dentro direto. Fechava o olho, estrebuchava um pouquinho, ufa! E mais sushi! Um ritual para poucos.

Japa amigo
Tem também o Samurai, que considero uma descoberta pessoal minha (é o "meu japa"), pouca gente do povinho conhece e fica aberto até 3h. O sushi é ótimo, e o preço não mata ninguém (embora seja difícil comer sushi baratinho). De madrugada, está sempre vazio (menos no Dia dos Namorados!!), mas mesmo assim prefiro sentar no balcão. Queria saber o nome do sushiman, queria que lá fosse o Filial do Sushi e quando eu chegasse o garçom (Ailton-san?) já me trouxesse um sakê paulista. Acho que precisa de mais um tempinho ou uma frequência mais assídua.

P.F.
A dica lá é o sashimi teishoku. Aliás, teishoku é descoberta recente também e dica para qualquer restaurante japonês. É como um PF japa, super lúdico, e (mais importante), barato. Vem um montão de arroz, um missô, mais um monte de potinhos com coisinhas, e uma "mistura". Eu geralmente peço o de sashimi. Dá pra duas pessoas fácil. Aí você complementa pedindo mais um missô e uns parzinhos, e beleza. Se maneirar no saquê (difícil!) sai baratinho.

Do it yourself
Bom mesmo foi tomar sakê em casa. Desde ontem sou o feliz possuidor de duas caixinhas daquelas pretinhas quadradas pra tomar saquê, com pirezinho embaixo. Imaginem a emoção de colocar o saquê e dar aquela derramadinha... Saúde!

Bar completo
Comprei daquele sakê mais barato, do tipo que serve no sacolão. R$ 10 a garrafa (ou seja, se eles cobram R$ 12 pra tomar à vontade, estão no lucro, porque ninguém deve tomar uma garrafa inteira). Não saco muito a diferença, queria entender. Lá no Lika eles servem um que eu vi vendendo por uns R$ 25, acho. Por enquanto, compro o baratinho mesmo.

E hoje?
As coisas devem começar no sacolão, mas tem Ramilson Maia sensacional no Brahama chopp sensacional com participação de Bocato sensacional. Sayonara!

PS: Tenho procurado ficar mais tempo offline. O que quer dizer menos postzinhos, mais postzões.

terça-feira, outubro 14



Se O Caso E Chorar (1972)
Todos Os Olhos (1973)
Estudando O Samba (1975)
Correio da Estação do Brás (1978)

Augusta, Angélica, Consolação, Times Square e Aclimação

Tem sempre uma história boa por trás das nossas paixões musicais. Eu tenho as minhas, e uma delas começa em Nova York. Na verdade, antes, com o Marcelo cantando "Augusta, Angélica e Consolação". Só sabia aquele refrãozinho engraçado, e não sabia quem era Tom Zé. Depois, li a história da ressurreição dele, como o David Byrne achou um vinil no Rio de Janeiro e lançou ele para o sucesso décadas depois, nos Estados Unidos. E topei com esse lendário CD, que é um "best of", na Virgin Records da Times Square.

Trouxe esse e mais uns 18 CDs, enlouqueço nessa hora. E ouvi muito todos os outros, esse uma vez, eu acho. Ouvi "Augusta", claro, e achei o resto muito difícil. Foi a Rê que, não lembro bem como, lembrou de uma música dele ("Dói"). Achamos o CD na prateleira e me apaixonei. Não podia parar de ouvir "Dói", e depois todas as outras.

Depois comprei os dois discos da série Dois Momentos, que contêm dois LPs cada, cobrindo o período de 1972 a 1978. Depois disso, ele sumiu, fez de tudo e passou por umas barras, até o episódio do David Byrne.

Ouvi compulsivamente esses discos. Eu queria ficar amigo dele (e olha que nunca fui num show). Só posso dizer que são geniais. Às vezes ele é experimental demais, tem que estar com vontade de ouvir. Mas às vezes é engraçado de dar gargalhadas. Tem músicas tristes, doídas, lindas. E tem daquelas de sair pulando pela casa ou dirigindo a 150 por hora.

Nunca comprei os discos mais recentes. Dá uma sensação de que esses quatro, juntinhos nesses dois CDs, são tão bacanas que vai estragar.

Para quem adora, ou não conhece, a entrevista que ele deu para Artur Nestrosvski e Luiz Tatit, que está na capa do Mais! dessa semana, é imperdível. Acho ele um músico inteligentíssimo, simples no jeitão, complexo na música e na cabeça. A entrevista é parte de um livro sobre ele que está pra sair. Olha a dica de presente de aniversário...
Sai, kizumba!
Episódio bizarríssimo. No sábado, chego em casa e o porteiro me mostra duas sacolas de plástico.

- Deixaram aí pra você.

Examino: uma sacola do Extra com UM pé de uma botinha feminina. Um saco transparente com uma bolsa Louis Vuitton vazia.

- Não é pra mim, não, cara.
- É sim, o taxista veio e falou que era pra entregar no 82.
- Tá bom então...

Sinishtro. Pensei em macumba. Fiquei esperando um telefone, e-mail, messenger, algo do tipo "oi, recebeu aquele pé de sapato e aquela bolsa". Mega pulga atrás da orelha, e nada.

Ainda bem que hoje o porteiro disse que tinha se enganado, que era pro 22. Agora porque alguém manda entregar UM pé de sapato? O que o pessoal do 22 fez com o outro?

PS: outra vez, recebi aqui um cesta cheia de chocolatinhos e ovos de Páscoa, sem cartão, sem nada. Dois dias depois, o porteiro bate na porta dizendo que tinha se enganado. Gozado foi ver a cara de alívio dele quando viu que eu não tinha devorado nenhum chocolatinho ainda.
Pegou
Está realmente populosa a blogosfera de pessoas do Agora. Pra mim, é como estar lá. Meio estranho. Mas divertido, ao menos.
Atlas Humano de Estudantes de Jornalismo
Após oito anos de intensiva pesquisa de campo nas salas de aula da PUC-SP, posso finalmente apresentar as primeiras conclusões deste relevante estudo sobre os tipos humanos do curso de jornalismo.

Intelectuais interessados
Um dos grupos mais numerosos. São os únicos a ler os textos das aulas. Sempre interrompem a aula para debater o assunto com os professores, tornando-se queridinhos. Gostam de andar com livros debaixo dos braços e estudar Ciências Sociais na USP. Entre os homens, predominam cavanhaques. Entre as moças, sandalinhas chinesas. Adoram Clóvis Rossi e Schopenhauer.

Mocinhas CDF
Sentam nas primeiras cadeiras da classe. Anotam tudo o que o professor fala, são daquelas boas para pedir o caderno emprestado. Nem sempre muito interessantes, mas formam seu grupinho. Falam baixo e não costumam ter opiniões brilhantes. Adoram Clóvis Rossi e Nick Hornby.

Galera da arquibancada
Grupo exclusivamente masculino. Facilmente identificáveis pelo infalível exemplar do Lance! debaixo do braço, ou caderno de esportes da Folha ou Estado. Sentam no fundão e sempre levam bronca por estar conversando. Traje: surfwear e camisetas de times. Sonham em ser jornalista esportivo. Adoram Clóvis Rossi e Roberto Avallone.

Patricinhas do Iguatemi
Se destacam pela roupa e pelos cabelos. Passam maquiagem pra ir à aula às 7h da manhã. Seu maior sonho em jornalismo é serem apresentadoras da Globo. Reclamam com o professor quando o livro é muito grosso. Trocam bilhetinhos de fofoca a aula inteira. Gostam de dizer que admiram Clóvis Rossi e adoram mesmo a Ana Paula Padrão.

Reportagem local
Pessoal que começou a trabalhar em redação nos primeiros anos da faculdade. Faltam muito, mas também participam muito das aulas, sempre dando exemplos do trabalho e discutindo assuntos jornalísticos com um ar de superioridade. Acompanhados sempre do jornal do dia. Nas conversas fora da aula, só falam de trabalho. Fumam e tomam muito café. Falam do 'Clóvis' como se fosse colega de trabalho.

Curso errado
Vieram parar no curso de jornalismo não se sabe como. Se encaixariam perfeitamente na publicidade da Faap. Os homens gostam de usar óculos escuros na classe. Só abrem a boca para piadinhas sobre a aula, que arrancam gargalhadas do fundão. "Quem é Clóvis Rossi mesmo?" Adoram Charlie Brown Jr.

Turistão
Não foi possível descrever este tipo por absoluta falta de presença nas aulas.

Veterano
Há muitos anos tenta se formar. Tem presença irregular e não costuma conhecer ninguém da classe. Nas raras conversas, gosta de contar histórias que começam com "No meu tempo...". São tão petulanetes que escrevem descrições dos tipos humanos na faculdade.

segunda-feira, outubro 13

We could be lifted
Hoje é Dia da Caipirinha. Foi lá que tudo começou. É cedo para dizer que tudo terminou. Mas é bom estar mais tranquilo.

domingo, outubro 12

Post-madrugada
Acho que preciso educar meus amigos australianos quanto ao fuso horário. 8h de domingo, isso é hora de ligar? Ok, uma delícia ouvir o sotaquinho e dizer "excellent" e "perfect". Mas vai tentar dormir de novo...

Na medida
Três dias seguidos de baladas ótimas. Depois de algumas noites difícias, daquelas que você chega em casa três horas depois do que você queria, foram três noites totalmente na medida certa.

No samba
Todos precisam se dar esses presentes: corram a Fnac e comprem CDs do Cartola e do Paulinho da Viola por menos de R$ 12. Preciosidades muito baratas.
Recauchutada
Quis mudar o visual, aí está. Mais sóbrio. E com algumas guloseimas novas ao lado. Comments, anyone?

sábado, outubro 11

Zzzzz...
Nossa, depois do último post mala, é agora que ninguém lê mais esse blog mesmo. Pulem! Pulem!
Blog econômico

Nos últimos dois dias, coloquei na cabeça de devorar o noticiário econômico inteiro. Bom, pelo menos todo o caderno de Economia do Estadão, que é o melhor deles, eu acho. Pelo menos infinitas vezes melhor que o da Bolha. Até me arrisco a algumas bobagens de wannabe colunista econômico.

Inflação
Duas coisas me chamaram a atenção no noticiário da atual euforia do mercado.
1. No dia em que a agência Moody's resolveu melhorar o rating da Rússia, o Estadão trouxe uma retranca (leia aqui) ótima comparando indicadores russos e brasileiros, os deles todos melhores (relação dívida/PIB, reservas, balança comercial...), "à exceção da inflação". A nossa esse ano deve ficar em torno de 8%, a deles no ano passado foi de 14%.
2. Todos os analistas apontavam os baixos juros em países desenvolvidos como motivo para investidores terem turbinado o valor dos títulos brasileiros lá fora, ou seja, nossos juros são bem atraentes.

Aí vêm as perguntas do leigo: estamos sofrendo aqui com juro alto justamente para combater a temida inflação, que dizem ser a maior praga que poderia pegar nossa economia. Sem apologia do dragão, porque eles tiveram uma inflação mais altinha e mesmo assim ganharam nota melhor do tio da agência? E será que nunca podermos baixar nosso juro, porque senão os homens da grana vão embora? Não tenho a menor idéia das repostsas, vou caçar e depois conto aqui.

Sai pra lá
Odeio _ odeio! _ teorias conspiratórias. E o noticiário econômico é terreno fértil para quem adora ver uma mafiazinha em tudo. A Bolha adora isso, é de uma ingenuidade tosca. Mas no Estadão, o Joelmir Beting encarnou hoje o conspirador. Com seu jeito engraçadinho de escrever com trocadilhos, que me bodeia profundamente, o famoso comentarista detona as agências de classificação de risco, "encarregadas de, tirando o sono de governos e de empresas julgadas por telepatia, garantir o sono e o sonho da velhinha de Oklahoma"... Ah, tá bom. Olha, os caras têm escritório no Brasil. Gente brasileira, bem paga para analisar nossa economia com responsabilidade e contar para o pessoal de Nova York. E no caso da Moody's, eu vi, conheci e falei com os representantes. Não tem cascata, não tem máfia. Não me venha com essa. Melhor mesmo seria que ninguém soubesse onde por seu dinheiro? Que a decisão saísse da cabeça do investidor? Quem sabe ele achasse que a Argentina fosse bem mais legal para torrar sua grana.

Não quero posar de ingênuo, que não percebe interesses por trás das coisas. Mas tem que ter responsabilidade nos comentários.

Ufa, revoltei! Acho que com 40 anos vou ser o cara mais conservador do planeta.
Roteiro catalão

Programinha marcado para amanhã:
1. Almoço de reconhecimento no La Parra, espanhol tocado por um catalão no Cambuci. Recomendado pela Vejinha, pode virar mais uma descoberta legal aqui na região.
2. Se sobrar pique, completar a tarde espanhola na exposição do Gaudí, no Masp.

Parece bom.
Roteiro australiano - update

Tasmania é de cair o queixo
Tasmania, no words. Astonishing.
- Tasmania está neste momento levando a disputa para ocupar os últimos dias da viagem. Tem uma trilha que parece deslumbrante, sete dias acampando (medo!).
- Acho provável que eu volte a Melbourne depois do ano novo em Sydney. Além de lá ter casa, comida e roupa lavada, é mais perto da Tasmania e tem também os tais Twelve Apostles (conjunto rochoso na beira do mar), que parecem imperdíveis. Ontem o cara da palestra mostrou umas fotos, achei bem bacana.
- Em vez de começar a subir a costa oeste por Brisbane, to achando que vou começar em Byron Bay (uma espécie de Maresias, pelo que entendi, um pouco mais ao sul).

Bom, com isso, o roteiro agora ficaria mais ou menos assim:

- 2/dez: chegada a Sydney, vôo direto para Coffs Harbour (aeroporto mais perto de Byron)
- 3 a 23/dez: subindo pela costa oeste, em direção a Cairns. Prováveis highlights: Fraser Island (ilha de areia), praias lindas e sossegadas, trilhas na Floresta em Cairns, mergulho no barreira de corais.
- 23/dez: vôo de Cairns para Melbourne
- 23 a 28/dez: Natal e relax em Melbourne, na casa dos amigos.
- 28/dez: vôo para Sydney
- 28/dez a 2 ou 3/jan: Sydney and surroundings
- 3/jan: volta a Melbourne, vôo/barco para Tasmania
- 3/jan a 10/jan: trilhas na Tasmania
- 10 a 13/jan: volta a Melbourne e depois Sydney
- 13/jan: vôo de volta
Grandes idéias

Sempre sonhei ter *aquela* grande idéia, uma puta sacada. Mas beleza, não rola, tenho pequenas sacadas e boas idéias. Um jornalista do Rio teve *a* idéia, e estou morrendo de inveja até agora. Especialista em vinhos (do tipo associado à ABS) e com livros já publicados sobre o assunto, ele acabou de voltar de uma viagem de 40 dias provando vinhos pela Austrália (seeeeensacional).

A viagem foi bancada pela embaixada da Austrália, pelo órgão de comércio exterior do país (Austrade) e pela rede Hyatt de hotéis. Ou seja: todo mundo ganha. O jornalista faz uma viagem inesquecível e ganha um dinheiro para escrever mais um livro, e os Australianos tem uma bela chance de melhorar a venda dos vinhos deles por aqui, ainda bem tímida. Além disso, por lá ele foi ciceroneado pelo representante de uma das principais empresas que trazem vinho australiano pro Brasil.

Ontem ele (o jornalista) deu uma palestra no Australia Festival 2003. Depois de superar várias vezes meu orçamento de táxi da semana (quem pega um táxi do centro para o Morumbi, às 18h em ponto, num dia de temporal em São Paulo?), baixei nesse evento atraído por razões óbvias: além do país-tema, havia a promessa de degustação grátis de vinhos.

Não teve, paguei pelas mirradas tacinhas consumidas, mas valeu pela palestra. Agora sei que Hunters Valley e Coonawarra e Baroossa Valley são regiões produtoras de vinhos bacanas, e que Shiraz não é a única uva que dá garrafas legais na Austrália. Parou por aí, mas já dá para se divertir. Até comprei uma garrafa, agora preciso marcar a degustação.

Ele também mostrou fotos belíssimas da viagem, daquelas que você programa para quando tiver muita grana e começar a voltar nos países que você conheceu. Mas não para sua viagem backpacker low-budget total.

Carvalhos e ameixas

E ontem tive uma revelação surpreendente: quando se diz que o vinho tem "notas de maçã" e "tons de geléia de ameixa", não é que o produtor colocou ali um potinho de geléia do lado do tonel de carvalho, mas é simplesmente o cheiro que vem na cabeça do especialista em vinhos na hora em que ele enfia a napa da taça. Só mais uma prova de que preciso fazer aquele cursinho de vinhos.

sexta-feira, outubro 10

No news, good news
Ficar sem posts um dia inteiro só pode ser sinal de que passei bem menos tempo que o normal aqui no meu quartinho/escritório. O que é sempre bom, convenhamos

quinta-feira, outubro 9

Sensacional
Vejamos o que sacolão nos reserva hoje. Fui!
Paulista não ri, dá risada

Dois momentos ótimos da tarde (gargalhadas, recuperando o fôlego):


O Meu Pipi, uma espécie de Agamenon Mendes Pedreira de Portugal, só que totalmente despudorado. "Blog a pisar o risco do mau gosto, mas sem o ultrapassar. Palavrões não, caralho", define-se. As expressões, o português de lá, é de passar mal de rir. Tem que ler imaginando ele falando. É um putza sucesso. Cada post chega a ter mais de 2.000 comentários. Cortesia do Alexandre Inagaki, que dá outras boas indicações da blogosfera lusitana.

O Homem Chavão: posts hilários com o melhor desse mal que nos assola. Eu, alguns amigos e meu irmão Gui, particularmente, adoramos cultivar os piores chavões, é um ramo de humor dos meus preferidos. Garantia de munição para conversa de bar.

E para dar um gostinho:
O Meu Pipi:"Amanhã, terça-feira, estará nas livrarias a primeira edição de 'O Meu Pipi'. Posso dizer que não vertia tanta porcaria para um livro desde que tive de limpar o cu a uma cópia de 'Os Maias' que a filha de certa gaja cuja crica eu andava a escachar tinha deixado na casa de banho. (...) Tratava-se de uma edição fraquinha, feita com tinta de má qualidade, de modo que, durante duas semanas, fiquei com a descrição do Ramalhete estampada nas nalgas. Foram quinze dias em que meu nobre e invicto cagueiro prestou homenagem a Eça..."

O Homem Chavão:
Top 5 respostas engraçadinhas de balconista de botequim

1- Me vê o açúcar?
R: Doce ou salgado?

2- Quais cervejas você tem?
R: Todas, menos Brahma, Antártica e Skol.

3- Pega uma coxinha?
R: Só tem diet, serve?

4- Coloca mais uma pinga (depois da sétima)?
R: Ix, o atleta tá com sede.

5- Você tem canudo?
R: Quer chupar, é?
Cara Valente in concert
Pronto, comprei. Dois ingressos para o show da Maria Rita no dia 25 (sábado). Se a mulher do Tickemaster não estava me enganando, eram os últimos dois. Ainda tinha ingresso pro domingo e pra sexta, eu acho. Ufa!
Pergunta do dia
Quanto tempo se pode perder na vida com coisas inúteis?

Blog pra quê
E emendando... blog às vezes (ou muitas vezes) é uma coisa cretina. Dadas as condições de trabalho em casa e ausência de terapia por direcionamento temporário de investimentos para uma viagem, às vezes o desgraçado precisa aguentar minhas neuras. Mas é como se sua única possibilidade de desabafar fosse o microfone do aeroporto. "Atenção srs. passageiros, estou passando por uma angústia inútil porque fico pateticamente pensando na pessoa X, que não pode ter seu nome revelado. Última chamada, portão 6." Ou então reportagem policial. "Segundo um executivo, que não pode ser identificado por questões de segurança..."

Continuando o raciocínio (?), então, se o lance é escrever, vai no Word e detona. Rasga, estrebucha, esperneia e fala que ele te escuta. Tsc, tsc... No so fast, Mr. Bond. Talvez a explicação esteja no fato de nós pessoas bestas querermos lucrar com o compartilhamento de neuras. Ouvi isso outro dia e achei bem pertinente. Alimentamos sentimentos e nóias que não nos fazem andar pra frente, mas que podem provocar alguma coisa nos outros que, ao menos temporariamente, nos é interessante.

Pronto, o Rapaz! já aguentou mais uma sessão de jaquetas mentales©. Agora já foi.
Felicidade delivery
Delícia!
Mais uma importante descoberta no ramo das guloseimas que posso conseguir aqui em casa só passando a mão no telefone: delícias árabes do Jaber, "50 anos de tradição e qualidade".

O Jaber é um daqueles lugares que você fica pra sempre feliz de um dia ter tomado a iniciativa de conhecer. Já comi no restaurante, é baratinho e muito e bom. E já comprei pilhas de esfiha, quibe e homus pra festinhas aqui em casa. Ontem, esfihas de carne, quibe (kibe?) e homus. E ainda sobrou um pouquinho para comer vendo Scrubs de noite (aliás, ontem foi engraçado acima da média).

Ponto fraco: não entregam esfiha folhada, que é simplesmente a oitava maravilha da Terra e no Jaber tem uma deliciosa (tem também na Brasserie Victoria e no Miski, um árabe menos conhecido mas ótimo na al. Joaquim Eugênio de Lima).

Destaque pro cardapinho, que conseguiu reunir, sem ponto, um "best of" dos slogans-chavão de padocas, tinturaria e outros ramos tradicionais de serviços: "Qualidade em 1º lugar, sua satisfação será a nossa realização, servimos bem para servir sempre No trabalho ou em sua casa sempre um Jaber pertinho de você" (transcição exata).

quarta-feira, outubro 8

Amiga das horas, prima-irmã do tempo

É muita falta de costume à solidão. Fico inventando textos dramáticos. E achando tudo isso ridículo, uma frescura sem tamanho. Adquiri uns hábitos dignos de novela mexicana ou grupos de auto-ajuda para pessoas sozinhas no mundo.

Top 10 do solitário ridículo
- Computador ligado o dia inteiro, com Outlook programado pra checar e-mails a cada 1 minuto. E eles chegam. Nove em cada 10 são spams.
- Apertar freneticamente "Enviar e receber" mesmo assim.
- Olhar no celular de 15 em 15 minutos, mesmo que ele não toque. "Vai que eu não ouvi."
- Ligar na caixa postal do celular mesmo que ele não tenha avisado que tem novas mensagens na caixa postal.
- Entrar a cada cinco minutos no site do contador do blog para ver se alguém apareceu.
- Deixar para desligar o computador no último minuto antes de sair de casa, depois do banho. "Quem sabe não chega um e-mail."
- Chegar cansadíssimo da balada e ligar o computador.
- Fazer ronda de botecos sozinho atrás do "pessoal".
- Apagar uma pessoa do ICQ, e depois ficar indo no "Adicionar contato" para ver se ela está online.
- Ler spam achando que é o e-mail de alguém (essa acabou de rolar).
- Fazer Top 10 do solitário ridículo.

É meio engraçado. Mas na verdade, acho que é triste mesmo.
Acaso
Céticos acreditam em coincidência e acaso. Pois uma enorme coincidência acaba de acontecer. A trilha sonora dos últimos dois dias foi Socorro, do Arnaldo Antunes, que tem um gravação da Cássia Eller bem legal. Chego em casa, ligo na Eldorado FM, e está tocando essa. Bacana.

A letra está bem apropriada.
Socorro

Socorro, não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo,
Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir
Socorro, alguma alma, mesmo que penada,
Me empreste suas penas.
Já não sinto amor nem dor,
Já não sinto nada
Socorro, alguém me dê um coração,
Que esse já não bate nem apanha
Por favor, uma emoção pequena,
Qualquer coisa.
Qualquer coisa que me sinta,
Tem tantos sentimentos, deve ter algum que sirva.
Socorro, alguma rua que me dê sentido,
Em qualquer cruzamento,
Acostamento,
Encruzilhada,
Socorro, eu já não sinto nada.

terça-feira, outubro 7

E agora, com links.
Quando a gente chora

- Oi, meu filho.
- Oi, mãe, você tá em São Paulo já?
- Tô sim, tem uma notícia terrível.
- O que foi?
- Os cachorros. Morreram os dois.

Essa foi minha mãe, aos prantos, hoje à tarde. E eu comecei a chorar também. E é claro que é possível se apegar a um cachorro ou ao um CD ou a qualquer coisa a ponto de se chorar no hora da perda, mas sei também que eu e minha mãe choramos porque tem dias, tem meses em que o choro está à flor da pele.

No colégio, logo que cheguei em São Paulo, meu lugar não era aqui. Queria morar em Brasília nem que fosse numa barraquinha na frente do meu colégio. Numa segunda-feira depois de um final semana lá, quando dei meu primeiro beijo e que foi um dos finais de semana mais felizes da vida toda, voltei pro colégio que eu odiava. Um amigo engraçadinho me cumprimenta e faz aquela brincadeira de apertar a mão bem forte, sem soltar. Eu senti uma dorzinha, e desatei numa crise de choro incontrolável, sala do diretor e tudo mais. Estava tudo ali, foi só apertar o botão.

O coitado do amigo deve ter se sentido como o japonês que estava no banheiro na hora da bomba de Hiroshima. Apertou e descarga e... bum! Se culpou para o resto da vida.
Constatação de momento
A tristeza é pelo fim, não pela saudade. Pela simples constatação de que acabou. Não é a perda da pessoa, é a perda daquilo em que se acreditava. E isso se desmanchou, evaporou. E a angústia vem do quanto isso é inexplicável, do tipo das coisas que simplesmente acontecem. E vem também da absoluta impossibilidade de abanar a brasinha e acender tudo de novo. O amor está morto e enterrado, virou uma assombração que nos atormenta. É duríssimo engolir isso. Tenho quase certeza que, no momento em que essa perda se realizar de uma vez, a tempestade vai passar.

segunda-feira, outubro 6


Valeu pelo carinho
Maria Rita foi, claro, trilha sonora do final de semana. Ouvimos "Cara Valente" uma centena de vezes. O CD inteiro, algumas.

Final de domingão, descendo no Filial, toca o celular, era um amigo da PUC numa mesa na calçada do Genésio (do outro lado da rua, mesmos donos). Um, dois chopps paulistas, e o especial da Maria Rita na Globo rolando num telão. Achei perfeito, me posicionei e fiquei vendo.

Quando acabou uma música, aplaudiram. Achei excesso de tietagem. O lance era gravado, estava passando na Globo, qual o sentido?

Corta a cena, um amigo do amigo comenta que a Maria Rita está no bar. Ah, ok, até faz sentido aplaudirem. Corta a cena novamente, um dos amigos que foram pra praia senta com a gente:

(diálogo editado pela memória)
- A Maria Rita está no bar.
- Sério? Nossa, é hoje que eu vou me dar bem. Imagina, eu, namorando essa mina?
- Vai lá...
...
- Pega o seu CD. Vamos pegar um autógrafo.

Mesmo com todo o preconceito da tietagem explícita, achei a idéia boa. Muita hesitação, Maria Rita recebe trocentas ligações no celular, leva mais tempo do que a gente imaginava para comer uma massa... e o cara finalmente encheu o peito e foi lá.

Ganhei um rabisquinho de caneta Bic na capa do meu CD, e com o meu nome (bem na parte escura, quase não dá pra ler). Tudo bem, era eu quem estava com o CD na mão, eu que apresentei praticamente o disco pra ele. Ele entrou com a cara de pau.

Nunca tive nada autografado, nem vontade ou oportunidade de pedir um autógrafo. Mas acho que vou queimar um CD com as músicas para deixar esse bem guardadinho.

PS: Diz o Aílton que a moça é assídua no Filial. Ê-ê....
No fundo
Esse final de semana sonhei que meu finado carro caía no fundo de um lago. E eu via ele lá, com as rodinhas pra cima. Bem sem sentido. Mas lembrei disso porque uma amiga minha sempre dizia que ia jogar o computador dela no rio Tietê, de tão podre. Estou querendo jogar o meu. Ele até é podre, mas nem por isso. Acho que ele não está sendo muito legal comigo. Tive um final de semana muito gostoso. Encerramento surreal. Tudo certo. Mas não resisto a ligar o danado aqui de madrugada, e-mails, blogs, vai voltando tudo, essa angústia não-sei-do-quê, essa tristeza até-sei-do-quê. Está me corroendo.
Marcostras
E foi um final de semana cheio de trocadilhos infames sensacionais, uma diversão barata e deliciosa.

Na Rio-Santos, pouco antes de Boracéia, tem um monte de banquinhas que vendem ostras. E alguém me disse numa dessas viagens que tinha uma chamada Marcostras, que é uma criação sublime, diga-se. Quando passamos na frente, contei do tal Marcostras, mas não achei.

- Cadê o Marcostras?
- Marcou...
- Fechou a banquinha e agora está no ostracismo.

(gargalhadas)

Na volta, passando por Bertioga...

- Vou abrir uma lanchonete aqui. Vai ser o Burtioga.
- E eu vou abrir uma academia de ioga. Bertioga.

(gargalhadas)
Soundtrack
Separando uns CDs para a praia, descobri que foi para o ladrão também meu CD "Na Estrada", que eu compilei e gravei e foi trilha sonora de horas de trânsito na madrugada a caminho de Toque-Toque, numa balada sensacional. Tinha coisas engraçadas e boas, até hits country. Pra mim, é a essência da música de estrada. Já vejo aquele caminhoneiro loiro barbudo cruzando o Kansas, óculos Ray Ban, e Willie Nelson dando o ritmo.
A balada que não valeu
Não sobrou nada da expectativa em cima da festa de sexta. Dog night.

As pessoas: algumas presenças sensacionais, mas a pista simplesmente não estava rolando como o imaginado. E é claro que o som não ajudou.

O som: entrei às 2h30, com a balada já miada. E nada do pessoal curtir. Mandei tudo o que podia, mas sem empolgação. E o pior: 15 malas por metro quadrado pedindo para tocar. Uma cena de pré-primário, a criançada querendo uma vez no balanço. Nunca vi igual.

O lugar: parecia muito bacana e já estava escalado pra minha festa, mas no final baixou polícia umas cinco vezes, tivemos que diminuir o volume e encerrar de vez uma balada ruim.

Um enorme pena, porque as donas da festa mereciam bem mais. Move on.

domingo, outubro 5

Cadê minha Neosaldina?
Ela sempre some nessas horas. Relatos da festa vão ficar pra depois, porque está um putza sol e eu vou queimar meu corpo branquinho na praia. Fui.

sábado, outubro 4

Mais Maria Rita
(pequena obsessão do momento)

Revelação bombástica: mudou tudo em Santa Chuva. No encarte, no primeiro trecho (letra aqui), tem uma setinha para "ELE", e no segundo, para "ELA". Faz todo sentido! Valeu mesmo ter comprado o original

Trombone: só para eu gostar mais de Cara Valente, os arranjos de trombone são do Bocato, o maluco do bem que comanda a Suburbana, a banda nota dez que toca no Urbano às segundas. Ele é bom pacas.

RG
3x4 novinha, pro visto da Austrália e pra carteirinha de estudante.
Padoca delivery
Sou notório fã de padocas. Lá em Brasília, padaria é lugar que vende pão. Outro dia tentamos tomar um café da manhã numa, foi um desastre. Aqui a padoca já virou quase centrinho comercial de muito bairro.

No meu pedaço da Aclimação, infelizmente, não tem aquela super padoca bacana, tipo Dona Deola. Tem uma padoquinha, decente, a Fluminense. Quando eu comprei o apê, na outra esquina (bem mais perto) tinha uma padoca fechada. E eu sempre sonhando que ia abrir de novo, mas já virou uma loja de estofados.

Começar bem um dia é pôr minha havaiana e ir na Fluminense. Ou pra comprar aquele mega-café-da-manhã-banquete (vários tipos de pães, pãozinho de queijo, suco de laranja, queijo, frios...) ou pra sentar no balcão e pedir uma média e um queijo quente. O copinho americano, aquele pratinho de vidro laranja escuro, é sublime.

Infelizmente, ainda não consegui ficar amigo do cara do balcão (que tem o mesmo nome do meu ex-chefe). Seria a glória: "Fala, Rapaz, queijo quente com pouco queijo?". É, porque adquiri agora essa frescura adicional: pouco queijo. Não dava, os caras põem umas 15 fatias em cada lanche, fica aquela coisa brilhando, escorrendo.

No caixa, tem três opções: o dono é muito bravo e gordo, morro de medo dele. Sempre tomo cuidado pra não demorar, dar o troco certinho, não errar a senha do Visa Electron, porque acho que ele vai me dar uma bronca. Depois tem uma moça e um moço, que devem ser filhos dele. São bem simpáticos. A moça tem cara de professora gente fina, o moço, de surfista de final de semana.

E agora, três anos depois, descobri o melhor de tudo: eles entregam. Foi numa dessas ressacas, babando aqui na frente do computador, que achei o telefone deles no site da Telefonica, e descobri as maravilhas da padoca delivery. Só espero que o dono bravo não atenda quando eu ligar.

Bom, chegou meu café da manhã! Fui!
Maria Elis
Comprei finalmente. Já tinha ouvido em muitos carros o CD quase inteiro. É claro que rola um bode do oba-oba que foi feito em cima da moça. Mas realmente é bom. Tem aquelas duas ou três músicas que você pula, mas que não te matam se o CD rolar inteiro até o final. Cara Valente e Santa Chuva são atualmente minhas preferidas, mas isso pode mudar com o tempo. Encontros e Despedidas também é foda. Compre, relaxe e aproveite.

PS1:
Momento cultural curioso: diz a Rita Lee que o nome da Maria Rita é uma homenagem a ela (Lee). Segundo a história que minha mãe diz que ouviu no Saia Justa (informação super checada e apurada), a Rita Lee tinha mania de chamar todo mundo de Maria Fulana... Maria Elis, por exemplo. Quando teve a filhinha, a Elis Regina resolveu então chamar de Maria Rita. É uma boa historinha, vai?

PS2:
A voz dela é realmente morbidamente parecida com a da mãe. Tudo bem que deve ter uma boa dose de sugestão nessa afirmação, já que toooodo mundo falou que era impressionante, que ficou "todo arrepiado" (tem coisa que me arrepia, mas não é música não), blá blá blá.
Ventoinha
Hoje vai ter que pegar no tranco.

sexta-feira, outubro 3

This nite
Sono. E pique total preparação balada festa vou tocar as melhores. Bombando a pista. Haaaaaaaja Red Bull.
Momentos AA
» Acabo de receber uma visita que achou meu blog procurando no google "fígado saudável". (Gargalhadas)
» Uma amiga me diz para mudar minha saudação pessoal no celular porque está na cara que eu estou num bar. Eu estava na redação. A quantidade de conclusões que dá pra tirar disso...

Como eu fui esquecer disso?
Última tentativa de resolver esse dia ruim, enchi a banheira e liguei o CD do Manics. Água, água, massagem, choro, e nada. Foi quando eu lembrei da música 9 desse CD, que se chama "Australia".

Avancei pra 9, e se processou uma mudança de humor inacreditável. Essa música tem uns pararelos com a vida muito interessantes, era tudo o que eu precisava. É assim: esse CD é foda, profundo, angustiante. Foi o primeiro que eles gravaram depois que o guitarrista simplesmente sumiu (e não apareceu até hoje). Vem porrada depois de porrada, e depois "Australia". A música mais alto astral do CD, com uma letra (abaixo) que se encaixa de uma forma surreal. Sofra, fique na merda, mas depois tudo se resolve e fica mais legal na Australia.

Meu dia estava um grande nada feio e triste. E veio Manics me dizer: "Deixa de frescura, mané. Vai almoçar e trabalhar."

Fui.
Australia (Manic Street Preachers)

I don't know if I'm tired and I don't know if I'm ill
My cheeks are turning yellow
I think I'll take another pill

Praying for the wave to come now
It must be for the fifteenth time
I've been here for much too long
This is the past that's mine

I want to fly and run till it hurts
Sleep for a while and speak no words in Australia
I want to fly and run till it hurts
Sleep for a while and speak no words in Australia
In Australia

Praying for the wave to come now
It must be for the very last time
It's twelve o'clock till midnight
There must be someone to blame

I want to fly and run till it hurts
Sleep for a while and speak no words in Australia
I want to fly and run till it hurts
Sleep for a while and speak no words in Australia
In Australia

Australia, in Australia
I want to fly and run till it hurts
Sleep for a while and speak no words in Australia
In Australia
Minha cama é um deserto
Tá tudo azul lá fora. Mas vou ficar o dia todo em casa. Hoje acordei me sentindo sozinho de um jeito que ainda não conhecia, e não é legal. Vou ficar em casa até porque tenho trabalhos pra fazer.

Mas amanhã tem essa festa, que tudo indica será sensacional. Gim, Red Bull, aperta o PLAY e vai!

quinta-feira, outubro 2

Eletronostalgia


Meu ponto de ônibus tem um detalhe charmoso: fica numa bela pracinha aqui do bairro, daquelas redondas, que tem ruas saindo como pontas de uma estrela. Primeiro você vê uns pedacinhos do ônibus atrás das árvores, depois ele contorna a pracinha e você sobe.

Para completar o cenário de novela das seis, o ônibus que eu mais pego é o Cardoso de Almeida, um trólebus que leva uma hora para chegar na PUC. E esse é daqueles com a foto de um "elétrico" (um jeito velhinho de chamar os trólebus, que aprendi com a avó de uma ex-namorada) antigão desenhado, edição comemorativa de 50 anos.

É o meu metrô. Sempre tem lugar pra sentar sozinho, porque pego no começo. E tem, lá no fundo, aquelas poltronas uma de frente pra outra, tipo sala de estar. Sempre sento ali porque dá pra esticar bem as pernas. O motor faz hmmmmmmm e eu já dormi. Não tem aquela tremedeira do motor a diesel. Leio meia página de jornal e começo a babar, é a rotina diária.

O trajeto é de turista. Liberdade, Praça da Sé, Pátio do Colégio, Viaduto do Chá, Praça da República, Vilaboim... Mas na primeira vez que peguei, parecia uma criança. Se um parente seu vem visitar a cidade, manda pegar esse ônibus. É a experiência completa.

Mas tem que ser logo. A prefeitura vai acabar com os trólebus (leia aqui). Justo agora que eu comecei a pegar, que azar! Tudo bem, tenho que admitir que aqueles fios pela cidade são meio feiosos. E o conector ou sei-lá-como-chama aquele treco que liga com o fio cai toda hora, deve ter acidente, passageiro fica esperando, cobrador tem que sair correndo. Mas é bem mais bacana pegar o "elétrico" do que pegar o "híbrido". "Olha o híbrido, corre!". Não dá.

Pelo menos daqui a 50 anos, quando demolirem a pracinha e fizerem um shopping, vou poder dizer. "Isso aqui era tudo mato! Aqui passava o elétrico..."
There's a place
Minha cozinha está tão cool que ontem curei o bodão assim: levei o som pra lá, fiz um lanchinho e fiquei zapeando pela minha ressucitada-das-tumbas coleção de CDs do Queen. Sim, eu toquei air guitar em "Tie Your Mother Down". A cozinha é minha e eu toco air guitar e pulo sem parar a hora que eu quiser. Melhor nem contar da hora que coloquei uma daquelas que tem um corinho de ópera...
Someone's knocking at the door

Cena típica 1: quartas de manhã
Pulo da cama com a campainha da área de serviço tocando sem parar. É a Jose que não consegue entrar porque a porta da área de serviço não abre se a chave está por dentro. Até que coloquei um post it bem em cima escrito "tire a chave". Só faltou colocar "vírgula, animal" no final.

Cena típica 2: hoje de manhã
Pulo da cama com a campainha da área de serviço tocando sem parar. Corta para a Jose entrando, eu com cara de ressacol e o post it olhando com sarcasmo, dizendo "você ainda insiste nisso, cara?".
Plans for plans
Manhã perdida em planos e orçamentos para a Austrália. Resultado: dá tranquilo para fazer tudo o que eu quero e ainda dar uma viajadinha básica por aqui na volta.

quarta-feira, outubro 1

Disco-biografia

Terminada a super arrumação de CDs, um saldo muito triste: 63 CDs originais meus se foram no roubo do meu carro. Não tinha feito essa conta até segundos atrás. Que vontade de gritar "Puta que pariu, ladrão do caralho, que festa você vai dar, né, filho da puta?". Ufa. E ainda falei bem do canalha nos primeiros posts.

Claro que a anta aqui deixou o case da dar em festas com mais de 100 CDs dentro do carro durante três semanas. E foi-se o case. Até hoje, eu dizia na mesa do boteco que eram uns "30 ou 40" CDs, e o resto, tudo gravado em casa. 63!! Não esperava.

Em número, foram embora talvez uns 20% da minha coleção. Mas eram certamente alguns dos CDs mais fodas da minha vida, carregados, encharcados de histórias que eu vivi. Essas são algumas das pérolas roubadas, que agora estão me encarando aqui na minha mesa:

Betty Boo - Boomania: meu primeiro CD, que eu ganhei em 1990 e hoje fazia parte do meu set de músicas antigas/recentes. Where are you baby?.
Soup Dragons - Lovegod: do tempo em que eu tinha poucos, ouvia esse muito. I´m free...
Smashing Pumpkins - Adore: por causa desse CD, comprei pela internet ingresso para o show dos caras em Nova York. Só que cheguei em Nova York, cadê o ingresso? A anta perdeu. Depois perdi a carteira, e fiquei na merda total. Perdi o show. Depois achei o ingresso. Perfect...
Ace of base - Happy Nation: comprado no auge, mas no ano passado "The Sign" fez o maior sucesso no set anos 90.
Favela Chic - Posto Nove: ouvia de cabo a rabo, sempre, para passar mal. Gravado, virou um presente super especial, com música bônus e tudo.
Red, Hot + Rio: especial em um milhão de momentos. A primeira vez que peguei foi um presente da Penny, em Vienna. Depois, ouvi um bilhão de vezes, em outras histórias, "Preciso Dizer Que Te Amo", com Bebel e Cazuza. Perdi, comprei de novo. Também é sensacional do começo ao fim. ERRAMOS: Perdi, e falei tanto que a Rê me deu de presente. O que só melhora a história.
Pet Shop Boys - Discography: Quintessential.
Right Said Fred - I'm Too Sexy (Single): um amigo me deu esse CD quando eu tinha uns 15 anos para compensar um do REM que ele tinha sentado em cima e quebrado, lá em casa. Nunca tinha ouvido falar. Corta a cena, 10 anos depois: sábado passado, pista lotada, e todo mundo delirando com esse som. I'm a model, you know what I mean...
Wham - The Best Of...Um presente de Charms e Allannah na Europa, precioso. Elas me deram pela breguíssima Last Christmas, que tinha virado meio que uma música de Barcelona. E agora vou encontrar com elas de novo...
George Michael - Listen Without Prejudice: Não tem uma música ruim nesse CD. E umas letras primorosas. Tava moído de tanto eu ouvir. It's the ones who resist that we most want to kiss...
Air - Moon Safari: Estou numa Virgin em Paris, sampleando os foninhos. Gostei na hora e comprei. Meses depois, hypezinho total em SP. Foi uma bola dentro musical bacana. E é realmente sensacional. "Ce Matin La" me acordou muitas vezes, é perfeita. Tem até a paradinha para se espreguiçar...
Smashmouth: comprei já para tocar em festas, mas rendeu "Walking On The Sun", que é a música para abrir set mais sensacional que existe.
Madonna - Music (Single): ouvi na primeira festa que fui no Cambridge, na época um lugar descoladíssimo. Putza balada.
Propellerheads - Decksanddrumsandrockandroll: trilha sonora da estrada na viagem com o Marcelo pelo Centro-Oeste. Faróis vindo, caminhões zunindo... Bang on!
Eels - Daisies of the galaxy: trilha sonora da viagem de 1.000 kms, sozinho, pelo sertão da Bahia, entre Lençóis e Brasília.
Talking Heads - Once In A Lifetime: And She Was, Psycokiller... Muitas baladas no primeiro ano da faculdade.
En Vogue - My Lovin': a mãe da minha namoradinha de quando eu tinha 14 anos trouxe dos EUA. Passei mal em muita pista de dança adolescente dançando esse som.
Information Society - Best Of...: a maior festa da história na casa do Marcelo, com polícia e tudo. E todo mundo delirando em "What's On Your MInd", eu tinha comprado no mesmo dia. Nunca mais consegui isso numa pista. I wanna know, what your thinking...

Bom, chega ou vai ficar chato. Aos poucos vou gravando algumas coisas. Ainda não comprei nenhum, mas é provável. Tomara que o ladrão se divirta tanto quanto eu.
Bioritmo de um final de terça

16h30
Pego a nota para finalmente receber a grana do meu frila. Mais um risco na listinha.
17h
Corte de cabelo no Soho. Fazia tempo, sempre deixo passar muitos meses e minha costeleta me deixa parecendo o Emerson Fittipaldi. Gostei do resultado.
17h30
Cruzo uma performance surreal na Paulista, paro, e faço uma mini matéria, que poderá ser vista aqui amanhã (eu espero).
18h
Subo no meu 724A-Aclimação decidido a encarar o primeiro dia de academia, finalmente, segundo passo do dia na campanha por um corpinho mais bacana. Estava tudo certo, estava com tempo, e ainda dava para fazer algo depois.
18h20
Entro em casa e ligo a luz. Instantaneamente a cozinha se tornou o lugar mais bacana do apartamento. É branco para todo lado. A luz fluroescente do lustre novo invade tudo, quero cozinhar de noite, comer de noite, fazer tudo de noite. E o armário branco novinho, refletindo tudo. Adorei.
18h25
Começo a procurar a avaliação, está fácil, com certeza. É pegar e ir pra academia.
18h40
Não acho a avaliação. Procuro em todos os montes de papel. E nada.
18h50
Meio que para compensar a frustração da academia e também num último esforço de achar a porra da avaliação, encaro uma arrumação geral da papelada. Dois sacos do PDA cheios depois, nada dela. E um monte de contas que eu tinha esquecido de pagar.
20h
Resolvo jantar o resto do pão e blanquet e queijo branco do café. Na mesinha da sala, restos da arrumação geral de CDs que tinha começado dias atrás. Mãos à obra, agora eu termino.
21h
Termino finalmente a arrumação. Mais uma vez me lembrei de todos os CDs que eu tinha perdido (já explico). Achei uns das antigas, que nunca mais tinha ouvido. Coloquei um meio baixo astral, sei lá porque ainda não tirei.
21h30
Tô com fome, ainda não comi. Mas vou quebrar a promessa de vez: já decidi tomar chopp no Filial. Quem sabe passa essa vontade chata de chorar.
21h45
Final de post sobre final de terça. Lembrei do CD do Manics, um dos discos da minha vida, que eu achei agora também. Vai doer, mas é um putza disco.
Cerveja com pimenta
(post gastronômico do dia)

Minha relação com pimenta e coisas ardidas em geral é do tipo não-existente. Do tipo assim no ruela (exceção feita à raiz-forte, porque o ardido passa rapidinho e ainda desentope o nariz).

Sempre achei isso uma grande frescura, além de uma frustração por perder de conhecer um monte de sabores. Mas é inexorável: simplesmente não suporto a sensação da boca pegando fogo, fico de mau humor, não consigo comer mais nada.

Pois ontem resolvi encarar o Tandoor com meu irmão. No papelzinho que o garçocom coloca embaixo do prato, parecia provocação: "é um erro achar que a comida indiana é picante".

Na primeira mordida do pastelzinho que o Gui tinha pedido antes de eu chegar, já quis pegar um daqueles papéis e levar no Procon. O garçom traz um refresco de rosas. Ui! Mas era gostoso. Tudo bem, deve ser mais seguro tomar em companhia feminina.

Depois, Daal de lentilha e carneiro ao curry. "Sem pimenta, por favor". Acho que o garçom deu uma risadinha no canto da boca. Resultado: três dias sem álcool interrompidos pela inevitável necessidade de tomar uma cerveja bem gelada e apagar aquele fogo. E depois eu e o Gui matamos o arroz purinho mesmo, pra dar uma ajudinha pra Bohemia.

Ufa! Ok, era saborosa a comida. Mas confesso que a "pimentinha" me stressou. Mas tudo acabou bem com a dica da Bela: gulab jameen, um docinho com gosto de... de gulab jameen mesmo. Para os menos fresquinhos e fãs de comida indiana, o Tandoor é sempre uma boa dica.
Tandoor. R. Dr. Rafael de Barros, 408, Paraíso
Not Another Manic Tuesday (Radio Edit)

Está começando um daqueles dias radiantes. Smile-boosters numa sequência inacreditável:

  • Fui dormir antes da meia-noite, cumprindo a promessa de não ligar o computador. Em um lance inédito, em vez de dormir vendo TV, acordar às 6h para desligar as luzes da casa e a TV e depois de novo às 11h após uma noite mal dormida, apaguei todas as luzes e escovei os dentes antes de fechar a porta do quarto, me enfiar embaixo do cobertor ligar a TV. Nas primeiras pescadas, me rendi, apaguei a luz e dormi. Isso mais ou menos às 23h30. Entrou para o Guinness da minha idade adulta.
  • Acordei às 8h, depois 8h30. Novo recorde, dessa vez na quantidade de horas. Tinha marcado eletricista e marceneiro para agora de manhã. Mais dois risquinhos na lista. Infelizmente, o Bom Dia Brasil já tinha acabado, mas descobri no guia que roubei do porteiro ontem que a GloboNews reprisa mais tarde.
  • Bermuda e havaiana no pé, corri na padoca. Pão, queijo branco, blanquet de peru e suco de uva light.
  • Está um dia lindo, cadê meus óculos escuros? Até abri a cortina do quarto.
  • Seu Zato, o eletricista colocou os lustres, uma beleza. De noite eu fico mais feliz ainda. Agora a área de serviço e o depósito são os últimos redutos das lâmpadas penduradas por um fio exposto.
  • Enquanto isso, café da manhã na cama, com Bom Dia Brasil e jornal. Tenho adorado a forma como fico sabendo de tudo só no dia seguinte de manhã. Escândalo na Casa Branca? Mapa do século 20? Uau!
  • Seu Osvaldino, o marceneiro, está instalando os armários embaixo da pia. Depois de três anos, duas coisas básicas resolvidas aqui em casa, inacreditável.
  • Daqui a pouco, se não enrolar demais aqui na internet-hipnose, vou buscar a nota para finalmente receber a grana do meu frila.

    Sono em dia, acordar cedo (um paradoxo, depois explico), sol, café da manhã, jornal, coisas resolvidas e por resolver. E o dia de ontem ainda está acumulado na meu instável estado de espírito.